domingo, 30 de março de 2014

RESUMO - TESTE DE 2 de Abril 2014

A VIDA QUOTIDIANA

No campo

Atividades económicas:

As principais atividades do meio rural na segunda metade do século XIX continuavam a ser a agricultura, a criação de gado e a pesca nas zonas do litoral.
Na sua maioria, os camponeses não eram donos das terras em que trabalhavam. As terras pertenciam sobretudo à antiga nobreza, proprietários burgueses e a alguns lavradores mais abastados.
O trabalho no campo era muito duro e os rendimentos eram poucos, por isso, os camponeses viviam muito pobremente.
Com a introdução da máquina na agricultura, aumentou-se o desemprego por já não ser precisa tanta mão-de-obra.

Alimentação:

Os camponeses alimentavam-se sobretudo do que cultivavam. Dos produtos que mais consumiam destacam-se a batata, pão de centeio ou de milho, sopas de legumes e sardinhas. A carne, mais cara e de difícil conservação, era apenas consumida em dias de festa.

Vestuário:

O vestuário dos camponeses variava de região para região, de acordo com o clima e com as atividades predominantes.
No interior, era frequente os homens usarem calças compridas, coletes ou jaquetas, e calçavam botas ou tamancos de madeira. As mulheres vestiam saias compridas e usavam lenços coloridos na cabeça.
No litoral, os homens usavam calças curtas ou arregaçadas e geralmente andavam descalços, tal como as mulheres que vestiam saias mais curtas do que as do interior, devido às suas atividades relacionadas com o mar.

Divertimentos:

Os divertimentos das pessoas do campo estavam associados sobretudo às atividades do campo (vindimas e desfolhadas) e à religião (feiras, romarias e festas religiosas).

Nas grandes cidades

Atividades económicas:

A modernização do país influenciou mais a vida quotidiana das pessoas que viviam nas cidades.
O grupo social dominante era a burguesia, constituído por comerciantes, banqueiros,industriais, médicos, advogados, professores, oficiais do exército e funcionários públicos.
As pessoas do povo trabalhavam sobretudo como vendedores ambulantes, empregados de balcão ou criados nas casas de pessoas ricas.
Com o desenvolvimento da indústria, formou-se um novo grupo social: o operariado. Os operários eram homens, mulheres e até crianças, que trabalhavam duramente nas fábricas muitas horas a troco de pouco dinheiro.

 

Alimentação:

A burguesia e a nobreza tinham uma alimentação abundante e variada. Faziam quatro refeições por dia: pequeno-almoço, almoço, jantar e ceia. Comiam carne, peixe, legumes, cereais, frutas e doces. Surgiram neste período vários restaurantes que trouxeram do estrangeiro novas receitas, como o pudim, a omelete, o puré, o bife e o soufflé.
As pessoas das classes menos privilegiadas alimentavam-se sobretudo de pão, legumes, toucinho e sardinhas.

Vestuário:

As pessoas mais ricas das cidades vestiam-se de acordo com a moda francesa. As mulheres vestiam saias até ao chão com roda, com uma armação de lâminas de aço e batanas – a crinolina.
As pessoas mais pobres vestiam roupas bastante simples, adaptadas às tarefas que desempenhavam.

Divertimentos:

Os nobres e os burgueses frequentavam os grandes jardins onde passeavam, conversavam e ouviam a música tocada nos coretos. Reuniam-se também nos cafés e clubes, jantares, festas e bailes, iam à ópera, ao teatro e ao circo.
Os divertimentos dos populares eram semelhantes aos do campo: feiras, festas religiosas e passeios ao campo domingo à tarde.
A AÇÃO MILITAR NO 5 DE OUTUBRO E A QUEDA DA MONARQUIA
RAZÕES DA QUEDA DA MONARQUIA
A população, no fim do século XIX encontrava-se bastante descontente:
- Os camponeses e os operários continuavam a viver com grandes dificuldades enquanto que a alta burguesia recebia cada vez mais lucros.
- O rei e a família real eram acusados de gastar mal o dinheiro, o que contribuiu para o endividamento do reino.
- Os sucessivos governos monárquicos não conseguiam melhorar a vida do povo.

Partido Republicano (1876)
Formou-se nesta altura o Partido Republicano que pretendia acabar com a monarquia para passar a haver uma república (substituir o Rei por um Presidente da República eleito por um determinado tempo).
Os republicanos pretendiam modernizar o país e melhorar as condições de vida dos mais pobres.
Disputa pelos territórios africanos – A Questão africana e o Ultimato
Conferência de Berlim (1884-1885)
Vários países europeus, como a Grã-Bretanha, a Alemanha e a França, entraram em conflitos por causa dos territórios africanos pois possuíam muitas riquezas.
Para resolver estes conflitos realizou-se a Conferência de Berlim onde ficou estabelecido que os territórios seriam partilhados de acordo com a sua ocupação efetiva, ou seja, de acordo com quem tivesse meios para os ocupar, mesmo que os não tivesse descoberto.
Ultimato inglês
Portugal apresentou o Mapa Cor-de-Rosa na tentativa de ocupar os territórios entre Angola a Moçambique.
Grã-Bretanha não aceitou porque queria os mesmos territórios para ligar Cabo a Cairo, e então fez um ultimato a Portugal (11 de janeiro de 1890) para abandonar aqueles territórios.
O governo português cedeu ao ultimato, o que agravou o descontentamento da população. Muitas pessoas passaram a apoiar o Partido Republicano pois pretendiam um governo mais forte.

Revoltas republicanas

31 de Janeiro de 1891 – Revolta republicana
A cedência perante o Ultimato inglês foi considerado um ato de traição à pátria. Os republicanos aproveitaram ainda para acusar o rei de gastar mal o dinheiro e deixar o país cheio de dívidas, culpando-o, também, pela miséria dos mais pobres.
Dia 31 de Janeiro de 1891 surgiu uma revolta na tentativa de acabar com a monarquia mas não foi bem sucedida. No entanto, mostrou o crescimento do Partido Republicano.
1 de Fevereiro de 1908 – Regícidio
O rei D. Carlos I foi morto a tiro quando passava de carruagem pelo Terreiro do Paço em Lisboa. Com ele morreu o herdeiro do trono D. Luis Filipe. Ficou a governar o seu irmão D. Manuel II. Foi mais um ato para tentar acabar com a monarquia.
5 de Outubro de 1910 – Queda da Monarquia e implantação da República
Na madrugada de 4 de Outubro de 1910 iniciou-se a revolução republicana. Os militares republicanos (membros do exército e da marinha) e os populares pegaram em armas e concentraram-se na Rotunda, atual praça Marquês de Pombal.
As tropas fiéis ao rei eram em maior número mas mesmo assim não conseguiram acabar com a revolta e na manhã de 5 de Outubro de 1910 foi proclamada a República, acabando assim com a Monarquia.
A 1.ª REPÚBLICA
Primeiras medidas republicanas
Formação de um Governo Provisório
Após a proclamação da República foi criado um Governo Provisório, presidido por Teófilo Braga, que tomou as seguintes medidas:
- Adotou-se uma nova bandeira (do azul e branco da monarquia, para o vermelho e verde da república)
- O hino nacional passou a ser “A Portuguesa”;
- A moeda passou a ser o escudo em vez do real.

Simbologia da nova bandeira:
Esfera armilar: representa o mundo que os navegadores portugueses decobriram;
Escudetes azuis: representam a bravura dos que lutaram pela independência;
Castelos: representam a independência garantida por D. Afonso Henriques;
Verde: cor da esperança;
Vermelho: cor da coragem e do sangue derramado pelos portugueses mortos em combate.
 
A Constituição republicana
Assembleia Constituinte
Depois de criado o Governo Provisório fizeram-se eleições para formar a Assembleia Constituinteque tinha como função elaborar a nova constituição – a Constituição de 1911.
Nesta constituição ficou estabelecido que:
- O chefe de estado de Portugal passa a ser um Presidente da República em vez de um rei;
É eleito por um período de 4 anos;
Tem o poder de escolher o governo;
O congresso tem o poder de eleger e demitir o Presidente da República.

Divisão de poderes
Poder legislativo: pertence ao Congresso ou Parlamento – deputados.
Poder executivo: pertence ao Presidente da República e o seu governo – presidente e ministros.
Poder judicial: pertence aos Tribunais – juízes

Principais medidas
Na Educação
- criação dos primeiros jardins-escola para crianças dos 4 aos 7 anos;
- ensino obrigatório e gratuito dos 7 aos 10 anos;
- criação de escolas primárias, de um liceu em Lisboa (liceu Passos de Manuel) e de universidades (de Lisboa e do Porto); 

O principal objetivo destas medidas era acabar com o analfabetismo.

No Trabalho
- direito à greve;
- direito a oito horas de trabalho e a um dia semanal de descanso;
- criação de um seguro obrigatório para doença, velhice e acidentes de trabalho.

Sindicato: associação de trabalhadores de uma mesma profissão que defendia os direitos dos trabalhadores.
Greve: forma de luta mais utilizada pelos trabalhadores em que se recussavam a trabalhar para que o Governo e os patrões cedessem às suas reinvidicações.

Dificuldades da I República
No entanto, a 1ª República atravessou vários problemas que fez crescer o descontentamento da população.
Participação de Portugal na I Guerra Mundial
A Inglaterra e a França entrou em guerra com a Alemanha por causa dos territórios africanos. Depois, vários outros países europeus entraram na guerra, bem como países de outros continentes, por isso diz-se que foi uma Guerra Mundial.
A Inglaterra pediu a Portugal que apreendesse os navios alemães refugiados nos portos portugueses. A Alemanha, em resposta, declarou guerra a Portugal e tentou ocupar os territórios portugueses em Angola e Moçambique.
A guerra terminou com a vitória dos ingleses, franceses e os seus aliados, e assim Portugal conseguiu manter as suas colónias. No entanto, as despesas militares durante a guerra contribuíram para um maior endividamento do reino.
Subida de preços e aumento de impostos
Os preços dos produtos aumentaram enquanto os salários não acompanharam essa subida.
As despesas do reino eram superiores às receitas. Os governos republicanos recorreram a empréstimos ao estrangeiro e para os pagar aumentaram-se os impostos.
Tudo isto fez com que se tornassem frequentes as greves, revoltas e assaltos a armazéns de comida.
Instabilidade política
Os governos mudavam frequentemente e os presidentes ou se demitiam ou eram demitidos. Só entre 1910 e 1926 houve 8 presidentes e 45 governos.