A VIDA QUOTIDIANA
No campo
Atividades
económicas:
As principais atividades do meio rural na segunda metade do
século XIX continuavam a ser a agricultura, a criação de gado e a pesca nas zonas do litoral.
Na sua maioria, os camponeses não eram donos das terras em que
trabalhavam. As terras pertenciam sobretudo à antiga nobreza, proprietários
burgueses e a alguns lavradores mais abastados.
O trabalho no campo era muito duro e os rendimentos eram poucos,
por isso, os camponeses viviam muito pobremente.
Com a introdução da máquina na agricultura, aumentou-se o
desemprego por já não ser precisa tanta mão-de-obra.
Alimentação:
Os camponeses alimentavam-se sobretudo do que cultivavam. Dos
produtos que mais consumiam destacam-se a batata, pão de centeio ou
de milho, sopas de legumes e sardinhas. A carne, mais cara e de difícil conservação,
era apenas consumida em dias de festa.
Vestuário:
O vestuário dos
camponeses variava de região para região, de acordo com o clima e
com as atividades predominantes.
No interior, era frequente os homens usarem calças compridas,
coletes ou jaquetas, e calçavam botas ou tamancos de madeira. As mulheres
vestiam saias compridas e usavam lenços coloridos na cabeça.
No litoral, os homens usavam calças curtas ou arregaçadas e
geralmente andavam descalços, tal como as mulheres que vestiam saias mais
curtas do que as do interior, devido às suas atividades relacionadas com o mar.
Divertimentos:
Os divertimentos das pessoas do campo estavam associados
sobretudo às atividades do campo (vindimas e desfolhadas) e à religião (feiras,
romarias e festas religiosas).
Nas grandes cidades
Atividades
económicas:
A
modernização do país influenciou mais a vida quotidiana das pessoas que viviam
nas cidades.
O grupo social dominante era a burguesia, constituído por comerciantes, banqueiros,industriais, médicos, advogados, professores, oficiais do exército e funcionários públicos.As pessoas do povo trabalhavam sobretudo como vendedores ambulantes, empregados de balcão ou criados nas casas de pessoas ricas.
Com o desenvolvimento da indústria, formou-se um novo grupo social: o operariado. Os operários eram homens, mulheres e até crianças, que trabalhavam duramente nas fábricas muitas horas a troco de pouco dinheiro.
Alimentação:
A burguesia e
a nobreza tinham uma alimentação abundante e
variada. Faziam quatro refeições por dia: pequeno-almoço, almoço, jantar e
ceia. Comiam carne, peixe, legumes, cereais, frutas e doces. Surgiram neste período vários restaurantes que
trouxeram do estrangeiro novas receitas, como o pudim, a omelete, o puré, o
bife e o soufflé.
As pessoas das classes menos privilegiadas alimentavam-se sobretudo de pão, legumes, toucinho e sardinhas.
Vestuário:
As pessoas mais ricas
das cidades vestiam-se de acordo com a moda francesa. As mulheres vestiam saias
até ao chão com roda, com uma armação de lâminas de aço e batanas – a
crinolina.
As pessoas mais
pobres vestiam roupas bastante simples, adaptadas às tarefas que desempenhavam.
Divertimentos:
Os nobres e os
burgueses frequentavam os grandes jardins onde passeavam, conversavam e ouviam
a música tocada nos coretos. Reuniam-se também nos cafés e clubes, jantares,
festas e bailes, iam à ópera, ao teatro e ao circo.
Os divertimentos dos
populares eram semelhantes aos do campo: feiras,
festas religiosas e passeios ao campo domingo à tarde.
A AÇÃO MILITAR NO 5 DE OUTUBRO E A QUEDA DA MONARQUIA
RAZÕES DA QUEDA DA MONARQUIA
A população, no fim do século XIX encontrava-se
bastante descontente:
- Os camponeses
e os operários continuavam a viver com grandes dificuldades enquanto que a alta burguesia recebia cada vez mais
lucros.
- O rei e a família real eram acusados de gastar mal o dinheiro, o que
contribuiu para o endividamento do reino.
- Os sucessivos governos monárquicos não conseguiam melhorar a vida do povo.
Partido Republicano (1876)
Formou-se nesta altura o Partido Republicano que
pretendia acabar com a monarquia para passar a haver uma república (substituir
o Rei por um Presidente da República eleito por um determinado tempo).
Os republicanos pretendiam modernizar o país e
melhorar as condições de vida dos mais pobres.
Disputa pelos territórios africanos – A Questão
africana e o Ultimato
Conferência de Berlim (1884-1885)
Vários países europeus, como a Grã-Bretanha, a
Alemanha e a França, entraram em conflitos por causa dos territórios africanos
pois possuíam muitas riquezas.
Para resolver estes conflitos realizou-se a Conferência de Berlim onde ficou
estabelecido que os territórios seriam partilhados de acordo com a sua
ocupação efetiva, ou seja, de acordo com quem tivesse meios para os ocupar,
mesmo que os não tivesse descoberto.
Ultimato inglês
Portugal apresentou o Mapa Cor-de-Rosa na tentativa de ocupar os territórios entre
Angola a Moçambique.
Grã-Bretanha não aceitou porque queria os mesmos
territórios para ligar Cabo a Cairo, e então fez um ultimato a Portugal (11 de janeiro de 1890) para
abandonar aqueles territórios.
O governo português cedeu ao ultimato, o que agravou o
descontentamento da população. Muitas pessoas passaram a apoiar o Partido
Republicano pois pretendiam um governo mais forte.
Revoltas republicanas
31 de Janeiro de 1891 – Revolta republicana
A cedência perante o Ultimato inglês foi considerado
um ato de traição à pátria. Os republicanos aproveitaram ainda para acusar o
rei de gastar mal o dinheiro e deixar o país cheio de dívidas, culpando-o, também,
pela miséria dos mais pobres.
Dia 31 de Janeiro de 1891 surgiu uma revolta na
tentativa de acabar com a monarquia mas não foi bem sucedida. No entanto,
mostrou o crescimento do Partido Republicano.
1 de Fevereiro de 1908 – Regícidio
O rei D. Carlos I foi morto a tiro quando passava de
carruagem pelo Terreiro do Paço em Lisboa. Com ele morreu o herdeiro do trono
D. Luis Filipe. Ficou a governar o seu irmão D. Manuel II. Foi mais um ato para
tentar acabar com a monarquia.
5 de Outubro de 1910 – Queda da Monarquia e
implantação da República
Na madrugada de 4 de Outubro de 1910 iniciou-se a
revolução republicana. Os militares republicanos (membros do exército e da
marinha) e os populares pegaram em armas e concentraram-se na Rotunda, atual
praça Marquês de Pombal.
As tropas fiéis ao rei eram em maior número mas mesmo
assim não conseguiram acabar com a revolta e na manhã de 5 de Outubro de 1910
foi proclamada a República, acabando assim com a Monarquia.
A 1.ª REPÚBLICA
Primeiras medidas republicanas
Formação de um Governo Provisório
Após a proclamação da República foi
criado um Governo Provisório, presidido
por Teófilo Braga, que tomou
as seguintes medidas:
- Adotou-se
uma nova bandeira (do azul e branco da monarquia, para o
vermelho e verde da república)
- O hino nacional passou a ser “A Portuguesa”;
- A moeda passou a ser o escudo em vez do real.
Simbologia da nova bandeira:
- Esfera
armilar: representa
o mundo que os navegadores portugueses decobriram;
- Escudetes
azuis:
representam a bravura dos que lutaram pela independência;
- Castelos: representam a independência
garantida por D. Afonso Henriques;
- Verde: cor da esperança;
- Vermelho: cor da coragem e do sangue
derramado pelos portugueses mortos em combate.
A Constituição republicana
Assembleia Constituinte
Depois de criado o Governo
Provisório fizeram-se eleições para formar a Assembleia Constituinteque
tinha como função elaborar a nova constituição – a Constituição de 1911.
Nesta constituição ficou estabelecido que:
- O chefe de
estado de Portugal passa a ser um Presidente da República em
vez de um rei;
- É eleito por um período de 4 anos;
- Tem o poder de escolher o governo;
- O congresso tem o poder de eleger e
demitir o Presidente da República.
Divisão de poderes
- Poder
legislativo: pertence
ao Congresso ou Parlamento – deputados.
- Poder
executivo: pertence
ao Presidente da República e o seu governo – presidente e ministros.
- Poder
judicial: pertence
aos Tribunais – juízes
Principais medidas
Na Educação
- criação dos
primeiros jardins-escola para crianças dos 4 aos 7 anos;
- ensino
obrigatório e gratuito dos 7 aos 10 anos;
- criação de
escolas primárias, de um liceu em Lisboa (liceu Passos de Manuel) e de
universidades (de Lisboa e do Porto);
O principal objetivo destas medidas
era acabar com o analfabetismo.
No Trabalho
- direito à
greve;
- direito a
oito horas de trabalho e a um dia semanal de descanso;
- criação de
um seguro obrigatório para doença, velhice e acidentes de trabalho.
Sindicato: associação de trabalhadores de uma
mesma profissão que defendia os direitos dos trabalhadores.
Greve: forma de luta mais utilizada pelos trabalhadores em
que se recussavam a trabalhar para que o Governo e os patrões cedessem às suas
reinvidicações.
Dificuldades da I República
No entanto, a 1ª República atravessou vários problemas
que fez crescer o descontentamento da população.
Participação de Portugal na I Guerra Mundial
A Inglaterra e a França entrou em guerra com a
Alemanha por causa dos territórios africanos. Depois, vários outros países
europeus entraram na guerra, bem como países de outros continentes, por isso
diz-se que foi uma Guerra Mundial.
A Inglaterra pediu a Portugal que apreendesse os
navios alemães refugiados nos portos portugueses. A Alemanha, em resposta,
declarou guerra a Portugal e tentou ocupar os territórios portugueses em Angola
e Moçambique.
A guerra terminou com a vitória dos ingleses,
franceses e os seus aliados, e assim Portugal conseguiu manter as suas
colónias. No entanto, as despesas militares durante a guerra contribuíram para
um maior endividamento do reino.
Subida de preços e aumento de impostos
Os preços dos produtos aumentaram enquanto os salários
não acompanharam essa subida.
As despesas do reino eram superiores às receitas. Os
governos republicanos recorreram a empréstimos ao estrangeiro e para os pagar
aumentaram-se os impostos.
Tudo isto fez com que se tornassem frequentes as
greves, revoltas e assaltos a armazéns de comida.
Instabilidade política
Os governos mudavam frequentemente e os presidentes ou
se demitiam ou eram demitidos. Só entre 1910 e 1926 houve 8 presidentes e 45
governos.