Independência do Brasil
Quando D. João VI regressou a Portugal em 1821,
deixou como regente D. Pedro.
Em 1822 as Cortes portuguesas, decretaram o
regresso do Brasil à condição de colónia e exigiam o regresso de D. Pedro.
D. Pedro não aceita e em 1822 declara a
independência do Brasil.
Durante a permanência do rei o Brasil teve um
grande desenvolvimento e os portos foram abertos aos comerciantes estrangeiros
o que favoreceu a burguesia brasileira. Estes apoiaram D. Pedro quando este
proclamou a independência.
A LUTA ENTRE LIBERAIS E ABSOLUTISTAS
Guerra Civil
Quando D. João VI morre, D. Pedro sucede-lhe mas
abdica do trono para ficar no Brasil. Passa a coroa para a sua filha Maria da
Glória mas, como tinha apenas 7 anos, fica como regente o seu irmão D. Miguel.
D. Miguel prometeu governar segundo um regime
liberal mas em 1828 dissolveu as cortes e passou a governar como rei absoluto
com o apoio da nobreza e do clero e perseguiu os liberais.
Em 1831, D. Pedro abdicou do trono brasileiro e
rumou à Europa, instalando-se com exilados liberais na Ilha Terceira, nos
Açores.
Em 1832 desembarcou com as suas tropas numa praia
próxima do Porto e avançou sobre a cidade, sem encontrar resistência.
Iniciou-se, então uma Guerra Civil que durou dois
anos e que opôs os dois irmãos, e a população que os apoiava (de um lado os
Absolutistas, liderados por D. Miguel e do outro lado os Liberais, liderados
por D. Pedro).
Só depois de várias derrotas é que D. Miguel
assinou a paz através da Convenção de Évora Monte em 1834.
O Liberalismo saiu vitorioso e implantou-se
definitivamente no nosso país.
D. Miguel derrotado partiu para o exílio.
A MODERNIZAÇÃO DO REINO
Desenvolvimento
da agricultura
Para aumentar a produção de
alimentos, os governos liberais tomaram várias medidas para o desenvolvimento
da agricultura e para o aumento da área cultivada.
Medidas para aumento da área cultivada:
· Extinção do direito do morgadio,
ou seja, do direito do filho herdar todas as terras da família. As terras
passaram a ser divididas por todos os filhos para assegurar uma melhor
exploração das terras
·
Entrega de terras pertencentes a nobres e clérigos a
burgueses
·
Entrega de baldios (terras
incultas) aos camponeses
Novas técnicas:
·
Utilização de adubos químicos
·
Utilização de semementes selecionadas
·
Alternância de culturas, que pôs
fim ao pousio. Desta forma as terras não precisavam de estar um período de
tempo sem estarem cultivadas
·
Introdução das máquinas agrícolas,
inclusive a debulhadora mecânica a vapor
Novas culturas:
·
Batata
·
Arroz
Desenvolvimento
da indústria
A introdução da máquina a vapor na indústria contribuiu de
forma significativa para o seu desenvolvimento. Esta inovação permitiu aumentar
a produção em menos tempo, o que possibilitou o aumento de lucros.
A produção artesanal foi assim começando a dar lugar
à produção industrial por ser mais lucrativa.
A maior parte das fábricas
instauraram-se nas zonas do litoral, principalmente na zona de Porto/Guimarães (indústria têxtil e calçado) e na
zona de Lisboa/Setúbal (indústria química e metalúrgica)
Exploração
mineira
Com o desenvolvimento da
indústria tornou-se necessário desenvolver a exploração mineira por se precisar
de matérias-primas e combustíveis. Os metais mais procurados eram o cobre e o ferro. O carvão também foi muito procurado porque nessa
época era a principal fonte de energia.
Alteração
da paisagem
O aumento dos campos de
cultivo e o aumento do número de fábricas e de minas provocaram uma profunda
alteração das paisagens. Nas cidades predominavam as chaminés muito altas que
enchiam o céu de fumos e maus cheiros.
Em 1852, foi criado o Ministério das Obras Públicas, dirigido por Fontes Pereira de Melo. Esta política de construção de
obras públicas (estradas, pontes, portos, caminhos-de-ferro, ligações
teleféricas, etc…) ficou conhecida por fontismo, devido ao
nome do seu principal impulsionador.
Desenvolvimento
dos meios de transporte e vias de comunicação
Caminhos-de-ferro
A rede de caminhos-de-ferro
cresceu de forma muito rápida e ao longo da sua extensão construíram-se várias pontes, túneis e estações.
Em 1856 realizou-se a primeira viagem de comboio, entre Lisboa e Carregado.
Rede de
estradas
Iniciou-se também a
renovação e construção de novas estradas em todo o país. De forma a facilitar a
circulação também se construíram várias pontes.
A partir de 1855 começou a
circular na estrada Lisboa-Porto a mala-posta, uma
carruagem que transportava o correio e algumas pessoas.
No final do século XIX
surgiram os primeiros automóveis.
Portos
marítimos e faróis
Para tornar mais segura a
navegação costeira construíram-se vários faróis e
melhoraram-se os portos marítimos.
Surgiram nesta época os barcos movidos a vapor, primeiro no Rio Tejo, depois na
ligação entre Lisboa e Porto e, mais tarde ainda, na ligação aos Açores e
Madeira.
Desenvolvimento
das comunicações
Os correios foram
remodelados, surgindo o primeiro selo-adesivo, o bilhete-postal e os primeiros marcos de correio.
Surgiu também o telégrafo e mais tarde o telefone.
Modernização
do ensino
O país encontrava-se em
modernização, por isso também era necessário que a população se tornasse mais
instruída e competente para realizar as mudanças pretendidas. Tomaram-se então
várias medidas no ensino:
·
Ensino primário:
o Criaram-se
novas escola primárias
o Tornou-se
obrigatória a frequência nos primeiros 3 anos, com mais um de voluntariado
o Ensino
liceal:
§ Criaram-se
novos liceus em todas as capitais de distrito e dois em Lisboa
§ Fundaram-se
escolas industriais, comerciais e agrícolas
§ Ensino
universitário:
§ Criaram-se
novas escolas ligadas à Marinha, às Artes, às Técnicas e ao Teatro
Direitos
Humanos
Também foram tomadas
importantes medidas relacionadas com os Direitos Humanos:
·
Abolição da pena de morte para crimes políticos (1852)
·
Abolição da pena de morte para crimes civis (1867)
·
Extinção da escravatura em todos os territórios
portugueses (1869)
OS MOVIMENTOS DA POPULAÇÃO
Contagem
da população
Para dar melhor resposta às
necessidades da população, tornou-se necessário saber o número de habitantes do
país, e onde se concentravam com maior quantidade.
Já se tinham realizadas
contagens da população, mas eram pouco exatas pois tinham como base a contagem
de habitações e não de pessoas. A estas contagens dá-se o nome de numeramentos.
A primeira contagem
rigorosa do número de habitantes do país realizou-se em 1864, ou seja, foi
quando se realizou o primeiro recenseamento. Em
boletins próprios os habitantes tinham que colocar o nome, o sexo, a idade, o
estado civil e a profissão. A partir dessa data realizam-se recenseamentos, ou
censos, de 10 em 10 anos.
Crescimento
demográfico
Através dos recenseamentos
verificou-se o aumento de população desde que se fez o primeiro censo. De 1864
até 1900 a população passou de cerca de 4 milhões de habitantes para 5 milhões.
Este facto justifica-se
pela melhoria de condições de vida da população:
·
Período de paz e estabilidade política
e social
·
Melhoria da alimentação, com o
aumento do consumo da batata e do milho
· Melhoria das condições de higiene, com a
construção de esgotos, distribuição de água através da canalização e
calcetamento das ruas
· Melhoria da assistência médica e
hospitalar, com o aparecimento de novos medicamentos, divulgação
de algumas vacinas e construção de hospitais
Distribuição
da população
Verificou-se também que o
crescimento populacional não ocorreu de igual forma por todo o território. O
aumento de população foi maior no norte litoral, onde se encontravam os solos
mais férteis, maior quantidade de portos de pesca e unidades industriais.
Entretanto, em todas
cidades verificou-se aumento de população, principalmente as do litoral.
Êxodo
Rural
Apesar do desenvolvimento
da agricultura, a produção continuava a ser pouca. A mecanização originou
despedimentos e as dificuldades no meio rural intensificaram-se. Sendo assim,
muitas pessoas decidiram abandonar os campos para ir para as cidades à procura
de melhores condições de vida. A este fenómeno dá-se o nome de Êxodo Rural.
Emigração
Entretanto, devido ao
aumento da população, não havia postos de emprego para todos nas cidades.
Muitos dos trabalhos eram mal pagos apesar de se trabalhar duramente muitas
horas diárias.
Sendo assim, muitas pessoas
decidiram procurar melhores condições de vida no estrangeiro, sobretudo para o
Brasil, pois falava-se a mesma língua e porque havia necessidade de
mão-de-obra devido à extinção da escravatura.
A VIDA QUOTIDIANA
No campo
Atividades económicas:
As principais atividades do meio
rural na segunda metade do século XIX continuavam a ser a agricultura, a criação de gado e
a pesca nas zonas do litoral.
Na sua maioria, os camponeses não
eram donos das terras em que trabalhavam. As terras pertenciam sobretudo à
antiga nobreza, proprietários burgueses e a alguns lavradores mais abastados.
O trabalho no campo era muito duro e
os rendimentos eram poucos, por isso, os camponeses viviam muito pobremente.
Com a introdução da máquina na
agricultura, aumentou-se o desemprego por já não ser precisa tanta mão-de-obra.
Alimentação:
Os camponeses alimentavam-se
sobretudo do que cultivavam. Dos produtos que mais consumiam destacam-se a batata, pão de centeio ou de milho, sopas de legumes e sardinhas. A carne, mais cara e de difícil conservação,
era apenas consumida em dias de festa.
Vestuário:
O vestuário dos
camponeses variava de região para região, de acordo com o clima e
com as atividades predominantes.
No interior, era frequente os homens
usarem calças compridas, coletes ou jaquetas, e calçavam botas ou tamancos de
madeira. As mulheres vestiam saias compridas e usavam lenços coloridos na
cabeça.
No litoral, os homens usavam calças
curtas ou arregaçadas e geralmente andavam descalços, tal como as mulheres que
vestiam saias mais curtas do que as do interior, devido às suas atividades
relacionadas com o mar.
Divertimentos:
Os divertimentos das pessoas do campo
estavam associados sobretudo às atividades do campo (vindimas e desfolhadas) e
à religião (feiras, romarias e festas religiosas).